Ensinamento Prático e Teológico de Mateus 5:21-48

Mateus 5:21-48

Pouco a pouco, este mundo vai se destruindo, e nós, que ainda fazemos parte dele, contemplamos esse caminho de desordem.

Muitas das vezes, podemos fazer as perguntas que já ocorreram (acredito eu) na mente de grande parte da humanidade:

Como esse mundo se tornaria um lugar melhor?

Qual o padrão da perfeição?

São perguntas que o próprio Deus, criador dos céus e da terra, se propôs a nos responder por intermédio de seu Filho encarnado. Ele veio trazer a salvação eterna àqueles que se encontravam em trevas, mas também veio estabelecer a exigência moral do reino de Deus.

Separei em dois tópicos a fim de trazer uma compreensão tanto prática quanto teológica a respeito desse texto.

Mesmo ambos sendo um só, dividindo dessa forma conseguiremos ver que esta passagem não é apenas uma lista de regras que devemos buscar cumprir, mas sim uma representação das exigências feitas por Deus a seu povo, entendendo assim todo o contexto da Bíblia e, melhor, a obra da redenção.

Pontos que devem ser ressaltados/observados por nós que lemos este texto, mesmo ambos sendo parte de um todo:

(Divisão feita apenas para compreensão sistemática)

– O ensinamento prático.

– O ensinamento teológico.

Ensinamento Prático:

Nós, que somos cristãos, devemos buscar alcançar esse nível de moralidade, uma moralidade não apenas externa, mas sim que tenha sua fonte no coração.

Para que não sejamos hipócritas e sujeitos a ser repreendidos como os fariseus foram por Jesus (Mt 15:8).

Nascemos de novo e agora temos uma natureza renovada pelo poder do Espírito Santo; devemos ansiar por tais características, um coração puro e renovado, a ponto de ter a conduta santa fluindo de dentro do coração, sendo ela verdadeira e não uma falsa imagem.

Essa lista é o caminho no qual os eleitos de Deus andam, o caminho no qual todos os que têm o Espírito de Deus buscam permanecer.

Isso não quer dizer que não podem cair, mas que, até o fim, tentarão cumprir cada ponto.

Aqueles que não levam esses ensinamentos em consideração, fazendo deles apenas um ponto teológico, não conheceram a Jesus Cristo.

1Jo 2:3-4:

“E nisto sabemos que o temos conhecido: se guardamos os seus mandamentos. Aquele que diz: ‘Eu o conheço’, mas não guarda os seus mandamentos, esse é mentiroso, e a verdade não está nele.”

Por conseguinte, é importante salientar que devemos buscar, cada dia mais, viver de acordo com o que Jesus nos ordenou, obedecendo seus mandamentos e ensinando a outros a obedecerem, para que assim andemos na luz (1Jo 1:6-7).

Importante destacar que não devemos olhar para nós acreditando que podemos ser perfeitos, mesmo esse sendo o nosso alvo.

Pois essa crença de que todo cristão deve ser perfeito traz a implicação de que aqueles que erram ou não conseguem atingir tamanho padrão de santidade não são cristãos verdadeiros.

Isso é um tremendo erro, pois Jesus nos traz esses ensinamentos para nos mostrar as exigências do reino e nos dar uma direção a seguir, não uma descrição de um cristão.

Por conta disso, veremos o ensinamento teológico.

Se somos incapazes de cumprir tudo isso, por que Jesus nos ordenou?

Ensinamento Teológico:

Coloquei o nome desse ponto como Ensinamento Teológico, pois pretendo demonstrar como esses textos reforçam a teologia bíblica da obra da redenção e da depravação total.

Também, com esses textos, vemos Jesus trazendo um nível maior para as exigências da lei de Moisés, a fim de mostrar que o que Deus requer do seu povo é muito mais complexo e difícil de se alcançar do que o que Moisés tinha passado.

Assim, chegaremos à conclusão de que, se ninguém era capaz de obedecer toda a lei de Moisés, quanto mais agora com Jesus trazendo mais clareza sobre os requisitos dela, aprofundando ao ponto de levar para dentro do coração.

Com isso, podemos ver que um dos motivos desse texto é mostrar que nenhum ser humano pode não pecar.

Apenas um fez isso.

E é ele mesmo quem nos ordena a seguir tudo o que está escrito nesses versículos.

A fim de que entendamos que não conseguiremos nada por nossos próprios méritos, mas sim pelos méritos dele.

Buscaremos, dia após dia, seguir tudo o que ele nos ordenou, pois em nós permanece a semente divina.

Mas essa busca nos levará à seguinte conclusão:

Romanos 7:24-25

“Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor! De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, sou escravo da lei do pecado.”

Nós, que nascemos de novo, jamais conseguiremos não buscar seguir cada ensinamento de Jesus, pois o seu próprio Espírito habita em nós, mas devemos entender que ele nos capacita a buscar isso: tudo é dele, por ele e para ele.

Romanos 11:36

“Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre. Amém!”

Então, não devemos nos desanimar pelo fato de não conseguir alcançar a perfeição, mas, muito pelo contrário, sabendo que, buscando essa santidade, estamos glorificando aquele que já nos limpou de todos os pecados.

Hoje buscamos por amor e não mais por medo.

Por gratidão e não mais por obrigação.

O Grande Mandamento

A importância do amor:

Agora que sabemos que um cristão verdadeiro não só buscará seguir todos os mandamentos — ou melhor, quererá que assim seja feito — e também sabemos que jamais conseguiríamos seguir perfeitamente toda a lei pelo fato de pertencermos, ainda que por breve tempo, a uma natureza caída,

veremos como nós, que desejamos cumprir toda a lei, devemos executar tal ato:

O amor:  

Mt 22:34-39 – Nessa passagem, Jesus é perguntado sobre qual seria o maior dos mandamentos, e responde dizendo que é amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a ti mesmo.  

Vemos que Jesus resume toda a lei em dois pontos:

1. Amar a Deus sobre todas as coisas.

2. Amar ao próximo como a ti mesmo.

Então, o que Jesus quis dizer com amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a ti mesmo?

Faremos um exercício:

Fechem os olhos e façam uma lista de prioridades na sua vida; aquilo que estiver em primeiro é o seu Deus!

Devemos nos consagrar a Deus inteiramente, a fim de que toda a nossa vida, todo o nosso entendimento e toda a nossa força sejam para o Senhor.

Fazendo assim, cumpriremos também o segundo grande mandamento, que é amar o próximo como a ti mesmo.

Com Deus habitando em todo nosso ser, é inevitável que amemos ao próximo, pois Deus é amor.

E tudo isso ocasiona o que Paulo diz em:

Romanos 13:8-10 – Paulo nos mostra que o amor é o cumprimento da lei, pois aquele que ama a Deus sobre todas as coisas ama o próximo como a ti mesmo, e amando o próximo como a ti mesmo, cumprimos a lei.

Assim, devemos buscar seguir os mandamentos de Jesus não mais com uma postura externa e legalista, não mais aparentando um certo nível de piedade, sendo que dentro do nosso coração existem apenas fontes secas.

Paulo diz em:

1Co 13:1-13 – De nada nos adianta fazer tudo o que diz respeito a práticas piedosas ou religiosas, se, como base desses comportamentos, não tiver o amor; o amor deve ser o fundamento de tudo aquilo que fazemos, e assim saberemos que somos nascidos de Deus e que conhecemos a Deus.

João diz:

1Jo 4:7-12 – Deus é amor, e devemos amar uns aos outros. Ele manifestou seu amor entregando seu Filho para morrer por nós, mesmo nós ainda sendo pecadores. Aquele que ama conhece a Deus e é nascido de Deus.

Como não amaremos mais, sabendo que fomos amados a ponto de Deus entregar seu Filho por nós (Rm 5:6-8), a fim de que aqueles atos horríveis que cometemos no passado e que trariam para nós uma condenação eterna foram pagos por Cristo na cruz,

Sem que visse nada em nós

Sem que tivéssemos algo para oferecer.

Recebemos de graça!

Que possamos buscar conhecer mais a Deus na imagem de seu Filho (Jo 17:3), para que assim cresçamos em amor para com Ele e para com os outros.

Que a graça e a paz esteja com todos!

 

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